Vai ser enterrado nesta segunda-feira (22) em Limeira, no interior de São Paulo, o corpo do rapaz que levou um tiro na cabeça numa briga entre torcedores do São Paulo e do Palmeiras, ontem à noite.
Mais de duas horas antes do jogo, a torcida do Palmeiras já estava em frente ao estádio, provocando o adversário.
“Ah, sai da frente! Sai que eu vou matar a Independente”.
Independente é a torcida organizada do São Paulo, que também chegava desafiando.
“Pode "vim" todo mundo. Eu não temo ninguém”.
“Sou independente - mato um, mato cem”.
Mal os torcedores se encontraram, começou a confusão. Um torcedor se irritou com os que fogem da briga. A confusão continuou e a polícia atirou balas de borracha.
Parte da torcida do São Paulo chegou ao estádio do Palmeiras escoltada. Um PM acompanhou tudo com granadas de gás lacrimogêneo na mão.
O jogo nem havia começado e vários torcedores já estavam feridos. Um deles teve parada cardiorespiratória e precisou ser reanimado na calçada. Em, seguida, foi levado para o hospital.
A Polícia Militar registrou pelo menos outras seis brigas entre torcedores. Em Santo André eles quebraram vidros na estação de trem. Paus e barras de ferro foram apreendidos.
A pior briga foi depois do jogo, num posto, em Jundiaí. Torcedores do interior que foram para a capital se encontraram aqui, na volta e partiram pra violência.
Treze torcedores ficaram feridos, quatro foram baleados, um perdeu a mão e outros oito tiveram ferimentos provocados por paus e pedras. Apenas o que amputou a mão continua internado.
A rodovia dos Bandeirantes ficou interditada por cerca de uma hora. Alex Furlan de Santana, de 29 anos, integrante da torcida organizada Mancha Verde, levou um tiro na cabeça. A namorada não entende o que aconteceu. “A única coisa que eu peço é que brigas, não. Isso não vai fazer com que mude a vitória ou a derrota do time”, declara Vivian Januzzi, namorada da vítima.
Para ao comando da Polícia Militar todas as precauções para evitar as brigas foram tomadas. “Foi um ônibus que não era de uma torcida organizada, e não foi comunicado para a polícia, se tivesse sido, talvez não teria acontecido”, diz Marcel Soffner, capitão PM
A assessoria de Segurança Pública de São Paulo informou que ninguém foi preso. Até agora não foi feito um levantamento do número de feridos.
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